Transcrevo aqui um exemplo de que as línguas estão cada vez mais vivas e em evolução, para não dizer revolução, às vezes visceral, um contra-argumento aos Vascos Graças Mouras dessse mundo global, que pretendem agrilhoar a Língua, impedindo-a de se enriquecer.
Portunhol Sem Fronteiras
Mistura de português, espanhol e guarani, a língua cresce como movimento literário
CLAUDIA JORDÃO
Com o humor típico de um show man, o ator Paulo Betti roubou a cena no Festival de Cinema de Gramado, há duas semanas, no Sul do Brasil. Apresentador oficial do evento, Betti defendeu calorosamente a adoção do portunhol entre os presentes. Cinco filmes latino-americanos concorriam ao Kikito e cerca de 20 cineastas de países vizinhos participavam da premiação.
A iniciativa de Betti tem explicação. Recentemente, ele conheceu o poeta “brasiguaio” – termo usado na região de fronteira entre Brasil e Paraguai para definir pessoas que nasceram por aqui, mas vivem no país vizinho – Douglas Diegues e teve seu primeiro contato com o portunhol selvagem, uma versão, digamos assim, mais turbinada do convencional. Nascido da miscelânia que se fala na região da tríplice fronteira, onde ruas brasileiras, paraguaias e argentinas se confundem, o portunhol selvagem é uma mistura de português, espanhol, guarani e, até mesmo, inglês. O termo é de autoria do próprio Diegues, em homenagem às selvas primitivas da região.
De alguns anos para cá, no entanto, esse emaranhado de idiomas tem deixado a marginalidade das cidadezinhas fronteiriças para se tornar um movimento literário latino-americano. Na Flip, Festa Literária Internacional de Paraty, no mês passado, no Rio de Janeiro, o autor pernambucano radicado em São Paulo Xico Sá participou de uma mesa de discussão e debateu, boa parte do tempo, em portunhol selvagem. Além disso, a novidade tem lançado luz para o original. O portunhol foi a língua oficial da Flap – versão alternativa da Flip, no início do mês, em São Paulo. Além de brasileiros, escritores e poetas hermanos participavam do evento.
Os porta-vozes do movimento são poetas, escritores e artistas que estão presentes em quase todos os países da América Latina.
A miscelânia de português e espanhol migrou da fala para a escrita no início da década de 90, através do livro Mar paraguayo, do paranaense Wilson Bueno. Mas somente de dois anos para cá o uso da língua ganhou força na literatura latino-americana. Diegues é o precursor e divulgador-mor do movimento. Em 2002, lançou seu primeiro livro, Dá gusto andar desnudo por estas selvas. Depois disso, escreveu outras cinco obras e inaugurou a editora YiYi Jambo, especializada em lançar e traduzir títulos em portunhol selvagem. “Fundamos um komitê para traduzir as obras completas de Manoel de Barros al portunhol selvagem, al espanhol y al guarani”, diz Diegues, no mais perfeito portunhol selvagem. “Escrever nessa língua é divertidíssimo. Virou idioma oficial de e-mails e conversas de bar”, diz Joca Terrón, escritor mato-grossense radicado em São Paulo.
No Brasil, Terrón foi o primeiro a aderir à onda. Seu conto Monaks atravessam el Apa, escrito em portunhol em 2003, virou livro em 2006. Sua segunda obra, Transportunhol borracho, foi lançada um ano depois. A vontade de se aventurar pelo portunhol selvagem surgiu depois de Terrón conhecer Diegues pessoalmente. Mas, além disso, o escritor cresceu familiarizado com um mix de idiomas. Nascido em Cuiabá, cresceu em Bela Vista, cidade na fronteira com o Paraguai e com a Bolívia. “Lá, todos eram trilíngües. Aprendi que, apesar da diferença da língua, somos muito parecidos”, diz Terrón. Depois dele, vieram outros brasileiros. Xico Sá tem dois títulos: Caballeros solitários rumo ao sol poente e La mujer és un gluebo da muerte. Ronaldo Bressane é autor de Cada vez que ella dice xis. E a blogueira Clarah Averbuck é o membro mais novo do grupo. Ela escreveu um texto, em portunhol, em Nossa Senhora da Pequena Morte, que será lançado em setembro. Incansável, o próximo passo de Diegues é levar o portunhol para o cinema. Para isso, conta com o apoio de Paulo Betti. “Estarei no filme como ator ou na função que Douglas mandar”, diz Betti. “Acho que temos que perder a verguenza de hablar espanhol.”
O portunhol selvagem, assim como o convencional, que escapa da boca de qualquer brasileiro sem formação em espanhol diante da necessidade, não possui regras gramaticais. “É uma língua freestyle”, diz Terrón. Segundo os escritores, o público não leva a sério, mas se diverte. “Há uma reação lúdica (dos leitores)”, diz Xico. “Todo bêbado, louco e criança adora hablar em portunhol selvagem. Eis o segredo do sucesso e da longevidade”, filosofa. Durante sua participação na Flap, o escritor chileno Héctor Hernández Montecinos disse acreditar que, dentro de dez anos, o portunhol será a língua oficial da América Latina. Seus hermanos discordam. “Deixa o oficialismo com os homens dos Itamaratis da vida”, minimiza Xico Sá.
Revista ISTOÉ - Edição 2026 - 3 de Setembro/2008
Monday, September 8, 2008
Tuesday, July 8, 2008
Não deixemos cair no esquecimento o Acordo, e até para manter em banho-maria a língua, enquanto não chega o próximo "barbarionato", na expectativa de haja uma grande "aderência" de candidatos, como bem disse (ele deve achar) o Balsemão no discurso de abertura. Achei muito bom este artigo:
“A orthografia sem ípsilon”
O que se pretende com o acordo ortográfico (de 1990) é aproximar a ortografia de variedades de português praticadas no mundo, segundo um critério fonético simplificador. Acabam as consoantes mudas, como “c” em “acto”, que nem sempre têm a função de indicar a abertura da sílaba precedente, passo o didactismo – aliás, palavra que é uma excepção assaz didáctica – raios, cada tiro, cada melro, sendo que aqui o acento assegura a abertura da vogal. Quanto ao “h”, abundam os enganos: os “Hugos” não serão rebaptizados, “hoje” assim seria amanhã e “úmido” está mesmo para chegar, porque a etimologia o permite (temos o “humidus” e a variante “umidus”). O hífen há-de desaparecer nas formas monossilábicas do verbo haver e teremos mais umas palavras compostas aglutinadas, mas, apesar do esforço, as regras de utilização do hífen ainda seriam tão complicadas que a maior parte dos utentes da língua continuaria a acertas nelas por acaso ou por tentativa e erro. Nos acentos o acordo é mais conservador do que uma anterior proposta de 1986, pois apesar de perderem a acentuação palavras como “dêem”, “pára” e “pêlo”, saem intocadas as esdrúxulas, para alívio de quem tem cágados de estimação. Em suma, dois mil dos nossos vocábulos seriam alterados, sendo o impacto da medida relativo, porque o que impede a comunicação entre falantes de duas variantes da mesma língua não é a ortografia, é o vocabulário, seguido da pronúncia e das idiossincrasias gramaticais. Então, para quê tanto barulho?
Há os nacionalistas, que não aceitam que o acordo represente 1,4 por cento de alterações para Portugal e 0,5 por cento para o Brasil, a quem não preocupa o peso da demografia, capaz de condenar dez milhões a um ridículo “orgulhosamente sós” –, mas também não se vê que o Brasil aceite como contraproposta bordar uma esfera armilar na bandeira. Há os conservadores, que têm quanto à língua uma relação de reverência museológica. Há os teóricos e os puristas catastrofistas, que contestam a lógica utilitarista e rejeitam o primado da língua falada sobre o alfabeto, mesmo se o mais certo foi ter havido oralidade antes de escrita cuneiforme. Há os burocratas, que acenam com regras de procedimento e inconstitucionalidades. E há os editores e os livreiros, pouco empreendedores, que temem o mercado. Se fico indiferente a todos, não deixo de estar contra o acordo. Por princípio.
Não sei se a língua é a minha pátria, mas seguramente a minha infância. Aceitar mudar as regras é sempre uma violência, como se por decreto nos obrigassem a esquecer as férias de Verão. Espero, por isso, que o acordo não passe. Porém, espero também que a geração vindoura defenda as regras da língua que aprendeu, mesmo que estas sejam as do acordo que agora recuso, o de 1990, e não as do que interiorizei (de 1945). Paradoxal? “A linguagem fez-se para que nos sirvamos dela, não para que a sirvamos a ela”, disse Pessoa, que também escreveu: “a orthografia sem ípsilon [óbito em 1911], como escarro directo que me enoja independentemente de que o cuspisse”. Não há aqui heteronímia, apenas uma contradição que a passagem do tempo resolve e, havendo amor à língua, sempre recria.
Vasco M. Barreto, em Jornal Metro, de 14.04.2008
“A orthografia sem ípsilon”
O que se pretende com o acordo ortográfico (de 1990) é aproximar a ortografia de variedades de português praticadas no mundo, segundo um critério fonético simplificador. Acabam as consoantes mudas, como “c” em “acto”, que nem sempre têm a função de indicar a abertura da sílaba precedente, passo o didactismo – aliás, palavra que é uma excepção assaz didáctica – raios, cada tiro, cada melro, sendo que aqui o acento assegura a abertura da vogal. Quanto ao “h”, abundam os enganos: os “Hugos” não serão rebaptizados, “hoje” assim seria amanhã e “úmido” está mesmo para chegar, porque a etimologia o permite (temos o “humidus” e a variante “umidus”). O hífen há-de desaparecer nas formas monossilábicas do verbo haver e teremos mais umas palavras compostas aglutinadas, mas, apesar do esforço, as regras de utilização do hífen ainda seriam tão complicadas que a maior parte dos utentes da língua continuaria a acertas nelas por acaso ou por tentativa e erro. Nos acentos o acordo é mais conservador do que uma anterior proposta de 1986, pois apesar de perderem a acentuação palavras como “dêem”, “pára” e “pêlo”, saem intocadas as esdrúxulas, para alívio de quem tem cágados de estimação. Em suma, dois mil dos nossos vocábulos seriam alterados, sendo o impacto da medida relativo, porque o que impede a comunicação entre falantes de duas variantes da mesma língua não é a ortografia, é o vocabulário, seguido da pronúncia e das idiossincrasias gramaticais. Então, para quê tanto barulho?
Há os nacionalistas, que não aceitam que o acordo represente 1,4 por cento de alterações para Portugal e 0,5 por cento para o Brasil, a quem não preocupa o peso da demografia, capaz de condenar dez milhões a um ridículo “orgulhosamente sós” –, mas também não se vê que o Brasil aceite como contraproposta bordar uma esfera armilar na bandeira. Há os conservadores, que têm quanto à língua uma relação de reverência museológica. Há os teóricos e os puristas catastrofistas, que contestam a lógica utilitarista e rejeitam o primado da língua falada sobre o alfabeto, mesmo se o mais certo foi ter havido oralidade antes de escrita cuneiforme. Há os burocratas, que acenam com regras de procedimento e inconstitucionalidades. E há os editores e os livreiros, pouco empreendedores, que temem o mercado. Se fico indiferente a todos, não deixo de estar contra o acordo. Por princípio.
Não sei se a língua é a minha pátria, mas seguramente a minha infância. Aceitar mudar as regras é sempre uma violência, como se por decreto nos obrigassem a esquecer as férias de Verão. Espero, por isso, que o acordo não passe. Porém, espero também que a geração vindoura defenda as regras da língua que aprendeu, mesmo que estas sejam as do acordo que agora recuso, o de 1990, e não as do que interiorizei (de 1945). Paradoxal? “A linguagem fez-se para que nos sirvamos dela, não para que a sirvamos a ela”, disse Pessoa, que também escreveu: “a orthografia sem ípsilon [óbito em 1911], como escarro directo que me enoja independentemente de que o cuspisse”. Não há aqui heteronímia, apenas uma contradição que a passagem do tempo resolve e, havendo amor à língua, sempre recria.
Vasco M. Barreto, em Jornal Metro, de 14.04.2008
Monday, July 7, 2008
Qual a idade certa para ter ideias próprias?
" Aos 10 anos todos nos dizem que somos espertos, mas que nos faltam ideias próprias. Aos 20 anos dizem que somos muito espertos, mas que não venhamos com ideias. Aos 30 anos pensamos que ninguém mais tem ideias. Aos 40 achamos que as ideias dos outros são todas nossas. Aos 50 pensamos com suficiente sabedoria para já não ter ideias. Aos 60 ainda temos ideias mas esquecemos do que estávamos a pensar. Aos 70 só pensar já nos faz dormir. Aos 80 só pensamos quando dormimos. "
(fala de Bartolomeu Sozinho, personagem de Venenos de Deus, Remédios do Diabo, de Mia Couto, Caminho)
Mais um romance excelente do Mia Couto e que se lê num fôlego!
Parabéns Bruno!
Olá Bruno,
Parabéns pelas 18 Primaveras!
Estou atrasada, mas mais vale tarde que nunca, à boa maneira portuguesa!
Então e a nota a matemática? Espero que seja boa!
Beijos
Parabéns pelas 18 Primaveras!
Estou atrasada, mas mais vale tarde que nunca, à boa maneira portuguesa!
Então e a nota a matemática? Espero que seja boa!
Beijos
Sunday, June 15, 2008
CHARADA ADICIONADA
Para aliviar o peso dos enigmas...
Penso que toda a gente (ou quase) sabe o que é uma charada adicionada. Escolhem-se duas ou mais palavras que nos permitam formar uma nova palavra resultante da "adição" das anteriores. Procuram-se sinónimos (ou definições) para cada uma delas e elabora-se uma frase ou uma poesia. Aqui vos deixo a primeira adicionada, também em verso, para decifrarem, com o pedido de que procedam da mesma maneira que no enigma anterior.
SAUDADE
O nosso amor NÃO CHEGA A CONCLUIR-SE,
Desfaz-se no caminho, bela Circe,
Dos nossos peitos nus e já sem voz.
Por que razão corremos como loucos?
Para cansarmos nossa sede aos poucos
Ou pela sede de ficarmos sós?
Doce canção que CAI NO ESQUECIMENTO,
Folhas caídas que se vão no vento,
Pálida luz de qualquer sol ausente
- Assim, ó minha Circe, o nosso amor,
Aquela força que perdeu vigor
E em nossos braços MORRE LENTAMENTE. 2,2
Os números no final indicam o nº de sílabas de cada parcial, logo a solução terá quatro sílabas.
A solução verifica-se no Grande Dicº da PE, obra de referência do CLP, mas também no Dicº da LP da mesma editora, ed. 2008.
Um bom domingo de pesquisas.
Marouvaz
Penso que toda a gente (ou quase) sabe o que é uma charada adicionada. Escolhem-se duas ou mais palavras que nos permitam formar uma nova palavra resultante da "adição" das anteriores. Procuram-se sinónimos (ou definições) para cada uma delas e elabora-se uma frase ou uma poesia. Aqui vos deixo a primeira adicionada, também em verso, para decifrarem, com o pedido de que procedam da mesma maneira que no enigma anterior.
SAUDADE
O nosso amor NÃO CHEGA A CONCLUIR-SE,
Desfaz-se no caminho, bela Circe,
Dos nossos peitos nus e já sem voz.
Por que razão corremos como loucos?
Para cansarmos nossa sede aos poucos
Ou pela sede de ficarmos sós?
Doce canção que CAI NO ESQUECIMENTO,
Folhas caídas que se vão no vento,
Pálida luz de qualquer sol ausente
- Assim, ó minha Circe, o nosso amor,
Aquela força que perdeu vigor
E em nossos braços MORRE LENTAMENTE. 2,2
Os números no final indicam o nº de sílabas de cada parcial, logo a solução terá quatro sílabas.
A solução verifica-se no Grande Dicº da PE, obra de referência do CLP, mas também no Dicº da LP da mesma editora, ed. 2008.
Um bom domingo de pesquisas.
Marouvaz
Saturday, June 14, 2008
ENIGMAS...
A ausência de comentários ao enigma que publiquei há dias pode ter várias leituras, uma das quais será, porventura, o desinteresse pelo tema induzido pela falta de conhecimentos específicos e pela dificuldade inerente ao próprio enigma charadístico. Também não terá sido feliz a escolha do exemplo apresentado, precisamente pela sua dificuldade. Para começar, um enigma do género "tira e põe" seria certamente mais apelativo.
Lembro-me que publiquei há uns tempos, no ACERCA DOS CIPRESTES, um soneto que contém um enigma charadístico muito simples, mas sem o ter apresentado como tal. Vou reproduzi-lo agora, lançando-vos o desafio de o decifrarem. A solução verifica-se integralmente no Dicionário de Sinónimos da Tertúlia Edípica, compilado e organizado por charadistas e, mais tarde, cedidos os direitos à Porto Editora. Hoje não será mais o TE, como nós, charadistas, carinhosamente o designávamos, mas o Sinónimos Editora. Vamos então ao enigma:
A CIDADE IMPOSSÍVEL
Partiram-se as cadeias da amizade:
O sol banhou de sangue o horizonte
E um longo eco vai, de monte em monte,
Levar a nova ao povo da cidade.
As portas já fechadas, ninguém há-de
Saber de novas com que não se conte...
Nem mesmo as nuvens transporão a ponte
P'ra ensombrar a irreal tranquilidade.
E na noite de paz, silente e bela,
Toda a cidade é o beijo duma estrela,
Um murmúrio de amor, um doce abrigo.
Ignorando a mensagem vã de guerra,
Eis a cidade-oásis-céu-na-terra,
Onde homem é sinónimo de AMIGO. 8 let.
A solução é, pois, um sinónimo de amigo, com oito letras, ao qual se chega através de operações (neste caso apenas uma) com sinónimos. Quem decifrar, mande a solução para o meu mail (m.veesse@gmail.com) em vez de a divulgar aqui, para manter o suspense durante alguns dias. Quando houver um número razoável de decifradores, eu publico a solução e os respectivos nomes.
Um abraço amigo do Marouvaz
Lembro-me que publiquei há uns tempos, no ACERCA DOS CIPRESTES, um soneto que contém um enigma charadístico muito simples, mas sem o ter apresentado como tal. Vou reproduzi-lo agora, lançando-vos o desafio de o decifrarem. A solução verifica-se integralmente no Dicionário de Sinónimos da Tertúlia Edípica, compilado e organizado por charadistas e, mais tarde, cedidos os direitos à Porto Editora. Hoje não será mais o TE, como nós, charadistas, carinhosamente o designávamos, mas o Sinónimos Editora. Vamos então ao enigma:
A CIDADE IMPOSSÍVEL
Partiram-se as cadeias da amizade:
O sol banhou de sangue o horizonte
E um longo eco vai, de monte em monte,
Levar a nova ao povo da cidade.
As portas já fechadas, ninguém há-de
Saber de novas com que não se conte...
Nem mesmo as nuvens transporão a ponte
P'ra ensombrar a irreal tranquilidade.
E na noite de paz, silente e bela,
Toda a cidade é o beijo duma estrela,
Um murmúrio de amor, um doce abrigo.
Ignorando a mensagem vã de guerra,
Eis a cidade-oásis-céu-na-terra,
Onde homem é sinónimo de AMIGO. 8 let.
A solução é, pois, um sinónimo de amigo, com oito letras, ao qual se chega através de operações (neste caso apenas uma) com sinónimos. Quem decifrar, mande a solução para o meu mail (m.veesse@gmail.com) em vez de a divulgar aqui, para manter o suspense durante alguns dias. Quando houver um número razoável de decifradores, eu publico a solução e os respectivos nomes.
Um abraço amigo do Marouvaz
Thursday, June 12, 2008
Ciprestianos
Amigos Ciprestianos,
Há muito queria dizer que estou "quase" vivo, pois esse negócio de corrigir actas é infernal e não sobra tempo para interagir no Onomatopaico. Quando muito, tenho coleccionado alguns textos que, agora que consegui aceder ao Blogue e enviar mensagens, vou publicá-los para vosso lazer. ´
Logo, logo...
Abraços a todos.
Há muito queria dizer que estou "quase" vivo, pois esse negócio de corrigir actas é infernal e não sobra tempo para interagir no Onomatopaico. Quando muito, tenho coleccionado alguns textos que, agora que consegui aceder ao Blogue e enviar mensagens, vou publicá-los para vosso lazer. ´
Logo, logo...
Abraços a todos.
Saturday, June 7, 2008
OVNI (ou uma conversa de surdos-mudos)
Noite estrelada. O céu estava lindo.
Fresca aragem soprava no planalto
Onde imensos mirones tinham vindo
Tomar o espaço sideral de assalto.
Um deles, largo gesto repetindo,
De dedo indicador em riste, ao alto,
Cerca o lugar em que, no céu infindo,
Um ponto luminoso é sobressalto.
E a turba admira, presa de emoção,
Aquela deslumbrante aparição
Mais fúlgida que o próprio firmamento.
"Ovniamente", diz o mais facundo,
"Que se trata de nave de outro mundo".
E todos preitearam seu talento...
*****
Fresca aragem soprava no planalto
Onde imensos mirones tinham vindo
Tomar o espaço sideral de assalto.
Um deles, largo gesto repetindo,
De dedo indicador em riste, ao alto,
Cerca o lugar em que, no céu infindo,
Um ponto luminoso é sobressalto.
E a turba admira, presa de emoção,
Aquela deslumbrante aparição
Mais fúlgida que o próprio firmamento.
"Ovniamente", diz o mais facundo,
"Que se trata de nave de outro mundo".
E todos preitearam seu talento...
*****
A palavra TALENTO deveria estar grifada e ter adiante a indicação 3 letras. Trata-se de um enigma, cuja solução é exactamente um sinónimo de TALENTO com esse número de letras. Para se chegar à solução é preciso descobrir e explicar o que os charadistas chamam o encaixe, o entrecho, a trama ou a urdidura do enigma, isto é, uma sequência de operações com sinónimos ou equivalências de palavras ou sintagmas do texto que conduzam a essa palavra-solução.
Primeiramente devemos registar os sinónimos disponíveis do conceito do enigma (a tal palavra grifada) com o número de letras indicado e, em seguida, ir fazendo tentativas com cada um deles. Só a experiência e a inspiração nos poderão orientar nesse dédalo misterioso e, não poucas vezes, maravilhoso que é a trama de um enigma charadístico. No fundo, aquele "faro" que nos advém da conjugação harmoniosa da experiência e da inspiração. E, claro, quanto mais vasto for o conhecimento da língua, tanto melhor, particularmente ao nível da sinonímia.
Muito mais haverá ainda para dizer, tal a variedade de encaixes de enigmas que podem ser "urdidos". Fá-lo-emos a seu tempo, caso a caso.
Por hoje, ficaremos com a explicação deste que, como o subtítulo sugere, remete para o alfabeto dos surdos-mudos, devidamente registado num pequeno dicionário brasileiro chamado "Índice Monossilábico Enciclopédico", adoptado na revista charadística onde o enigma foi publicado há já muitos anos.
O corpo do enigma é o seguinte: "repetindo, de dedo indicador em riste, ao alto, cerca o lugar em que". No alfabeto dos surdos-mudos, o dedo indicador em riste, ao alto, tanto pode designar a letra L como a letra Z, consoante a orientação da palma da mão; o LUGAR EM QUE é o arcaísmo U, também registado no mesmo IME, conhecido entre os charadistas por Lirial, do pseudónimo da seu autor, Ed. Lirial J.or. A partir daqui já não há mistério: LUZ é sinónimo de TALENTO e a solução do enigma. Mas convenhamos que sem o subtítulo "uma conversa de surdos-mudos" seria bem mais difícil. Foi o que aconteceu na publicação original para charadistas.
Desculpem esta eventual maçada. Vou assinar com o "velho" pseudónimo charadístico.
Marouvaz
Friday, June 6, 2008
CAMPEONATO INTERMÉDIO LÍNGUA PORTUGUESA
Caros companheiros,
A SIC e o Expresso, bem como os habituais patrocinadores, dada a grande "aderência" (Balsemão dixit) do campeonato deste ano, vão organizar um novo campeonato da língua portuguesa.
Vai ser a seguir ao europeu de futebol, com prémios melhorados.
A Bárbara apresenta, mas não lê os ditados.
A CTC vai ser remodelada e os testes vão ser resolvidos pela mesma a priori.
Abraços onomatopaicos,
CC
A SIC e o Expresso, bem como os habituais patrocinadores, dada a grande "aderência" (Balsemão dixit) do campeonato deste ano, vão organizar um novo campeonato da língua portuguesa.
Vai ser a seguir ao europeu de futebol, com prémios melhorados.
A Bárbara apresenta, mas não lê os ditados.
A CTC vai ser remodelada e os testes vão ser resolvidos pela mesma a priori.
Abraços onomatopaicos,
CC
Tuesday, May 13, 2008
Pela primeira vez, vou deixar aqui uma mensagem que também coloquei no meu blogue pessoal, mas tendo em conta o seu conteúdo (que a mim muito me apraz), certamente não levarão a mal, esta minha atitude.
Aqui fica então:
Este ano, o Festival de Cinema de Cannes vai abrir com "Blindness", a adaptação cinematográfica do livro de José Saramago - Ensaio sobre a Cegueira -
O seu realizador é o brasileiro Fernando Meirelles e conta com o seguinte elenco: Julianne Moore,
Mark Ruffalo,
Danny Glover
Gael Garcia Bernal,
Alice BRAGA,
Yusuke ISEYA,
Yoshino KIMURA,
Don MC KELLAR
Sandra OH
O fio condutor do romance é a cegueira que leva não só as personagens como também o leitor a reflectirem sobre as relações entre o individual e o coletivo.
A "cegueira branca" é o símbolo do discurso da perplexidade. É a fantasia de um autor que nos relembra "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam".
Numa mescla de literatura e sabedoria, José Saramago obriga o leitor a reflectir, a fechar os olhos e a ver. Resgatar a lucidez e o afecto numa sociedade em crise é afinal a principal mensagem.
Trata-se de uma livro excepcional , revelador da extrêma lucidez do seu autor perante a nossa sociedade.
Aguardemos pela exibição do filme em Portugal.
Aqui fica então:
Este ano, o Festival de Cinema de Cannes vai abrir com "Blindness", a adaptação cinematográfica do livro de José Saramago - Ensaio sobre a Cegueira -
O seu realizador é o brasileiro Fernando Meirelles e conta com o seguinte elenco: Julianne Moore,
Mark Ruffalo,
Danny Glover
Gael Garcia Bernal,
Alice BRAGA,
Yusuke ISEYA,
Yoshino KIMURA,
Don MC KELLAR
Sandra OH
O fio condutor do romance é a cegueira que leva não só as personagens como também o leitor a reflectirem sobre as relações entre o individual e o coletivo.
A "cegueira branca" é o símbolo do discurso da perplexidade. É a fantasia de um autor que nos relembra "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam".
Numa mescla de literatura e sabedoria, José Saramago obriga o leitor a reflectir, a fechar os olhos e a ver. Resgatar a lucidez e o afecto numa sociedade em crise é afinal a principal mensagem.
Trata-se de uma livro excepcional , revelador da extrêma lucidez do seu autor perante a nossa sociedade.
Aguardemos pela exibição do filme em Portugal.
Sunday, May 11, 2008
Exercícios de Língua Portuguesa
Olá a todos,
Disponibilizei, em utilidades, uma página com exercícios diversificados de sintaxe, ortografia, morfologia, provérbios, ....
Apesar de não apresentarem um grau de dificuldade elevado, permite-nos treinar e rever alguns aspectos.
Bom trabalho.
Abreijos,
Grace
Disponibilizei, em utilidades, uma página com exercícios diversificados de sintaxe, ortografia, morfologia, provérbios, ....
Apesar de não apresentarem um grau de dificuldade elevado, permite-nos treinar e rever alguns aspectos.
Bom trabalho.
Abreijos,
Grace
Monday, May 5, 2008
À MINHA LINDA CIDADE
É a única poesia obrigada a mote que compus em toda a minha vida.
O mote é do poeta António Correia de Oliveira:
Senhora Santa Luzia,
Vossos olhos como são?
São olhos de ver Viana,
Não quero fechá-los, não!
Eis a minha glosa:
Eu tenho sede de amar
O mistério deste dia
E vê-se lá em baixo o mar,
SENHORA SANTA LUZIA...
O vento traz-mo nas asas
E eu bebo-o no coração.
Meus olhos são como brasas,
VOSSOS OLHOS COMO SÃO?
Ah, se esta pedra soubesse
Donde a minha sede emana,
Que são meus olhos em prece!
- "SÃO OLHOS DE VER VIANA,
Poeta que vês escolhos".
Oh, sinfonia-canção!
Oiço Viana nos olhos,
NÃO QUERO FECHÁ-LOS, NÃO!
O mote é do poeta António Correia de Oliveira:
Senhora Santa Luzia,
Vossos olhos como são?
São olhos de ver Viana,
Não quero fechá-los, não!
Eis a minha glosa:
Eu tenho sede de amar
O mistério deste dia
E vê-se lá em baixo o mar,
SENHORA SANTA LUZIA...
O vento traz-mo nas asas
E eu bebo-o no coração.
Meus olhos são como brasas,
VOSSOS OLHOS COMO SÃO?
Ah, se esta pedra soubesse
Donde a minha sede emana,
Que são meus olhos em prece!
- "SÃO OLHOS DE VER VIANA,
Poeta que vês escolhos".
Oh, sinfonia-canção!
Oiço Viana nos olhos,
NÃO QUERO FECHÁ-LOS, NÃO!
Thursday, May 1, 2008
Bom dia a todos!
Mesta minha primeira contribuição, começo por agradecer ao José Luís a disponibilização deste espaço para a nossa interacção literária.
Assim, e sendo um apaixonado da leitura e da escrita (com realce para a poesia), deixo-vos um soneto de minha autoria.
Abraços,
António
INSTANTE
Se, nessa eternidade do momento
em que sentes os tempos já tolhidos
pela doce fragrância dos sentidos
emanada por forte sentimento,
olvidas esse anátema opulento
que vive e segue e castra os sonhos tidos,
e apagas esses tempos tão sofridos
em troca do que sentes num lamento...
Repousa então na sombra deste olhar
que mira e olha e sente o teu pensar,
e sorve a tensa e densa nostalgia...
E, solta pelos ventos da lembrança,
apoia-te em pilares de esperança
e pula e canta e vive cada dia.
Assim, e sendo um apaixonado da leitura e da escrita (com realce para a poesia), deixo-vos um soneto de minha autoria.
Abraços,
António
INSTANTE
Se, nessa eternidade do momento
em que sentes os tempos já tolhidos
pela doce fragrância dos sentidos
emanada por forte sentimento,
olvidas esse anátema opulento
que vive e segue e castra os sonhos tidos,
e apagas esses tempos tão sofridos
em troca do que sentes num lamento...
Repousa então na sombra deste olhar
que mira e olha e sente o teu pensar,
e sorve a tensa e densa nostalgia...
E, solta pelos ventos da lembrança,
apoia-te em pilares de esperança
e pula e canta e vive cada dia.
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