Para aliviar o peso dos enigmas...
Penso que toda a gente (ou quase) sabe o que é uma charada adicionada. Escolhem-se duas ou mais palavras que nos permitam formar uma nova palavra resultante da "adição" das anteriores. Procuram-se sinónimos (ou definições) para cada uma delas e elabora-se uma frase ou uma poesia. Aqui vos deixo a primeira adicionada, também em verso, para decifrarem, com o pedido de que procedam da mesma maneira que no enigma anterior.
SAUDADE
O nosso amor NÃO CHEGA A CONCLUIR-SE,
Desfaz-se no caminho, bela Circe,
Dos nossos peitos nus e já sem voz.
Por que razão corremos como loucos?
Para cansarmos nossa sede aos poucos
Ou pela sede de ficarmos sós?
Doce canção que CAI NO ESQUECIMENTO,
Folhas caídas que se vão no vento,
Pálida luz de qualquer sol ausente
- Assim, ó minha Circe, o nosso amor,
Aquela força que perdeu vigor
E em nossos braços MORRE LENTAMENTE. 2,2
Os números no final indicam o nº de sílabas de cada parcial, logo a solução terá quatro sílabas.
A solução verifica-se no Grande Dicº da PE, obra de referência do CLP, mas também no Dicº da LP da mesma editora, ed. 2008.
Um bom domingo de pesquisas.
Marouvaz
Sunday, June 15, 2008
Saturday, June 14, 2008
ENIGMAS...
A ausência de comentários ao enigma que publiquei há dias pode ter várias leituras, uma das quais será, porventura, o desinteresse pelo tema induzido pela falta de conhecimentos específicos e pela dificuldade inerente ao próprio enigma charadístico. Também não terá sido feliz a escolha do exemplo apresentado, precisamente pela sua dificuldade. Para começar, um enigma do género "tira e põe" seria certamente mais apelativo.
Lembro-me que publiquei há uns tempos, no ACERCA DOS CIPRESTES, um soneto que contém um enigma charadístico muito simples, mas sem o ter apresentado como tal. Vou reproduzi-lo agora, lançando-vos o desafio de o decifrarem. A solução verifica-se integralmente no Dicionário de Sinónimos da Tertúlia Edípica, compilado e organizado por charadistas e, mais tarde, cedidos os direitos à Porto Editora. Hoje não será mais o TE, como nós, charadistas, carinhosamente o designávamos, mas o Sinónimos Editora. Vamos então ao enigma:
A CIDADE IMPOSSÍVEL
Partiram-se as cadeias da amizade:
O sol banhou de sangue o horizonte
E um longo eco vai, de monte em monte,
Levar a nova ao povo da cidade.
As portas já fechadas, ninguém há-de
Saber de novas com que não se conte...
Nem mesmo as nuvens transporão a ponte
P'ra ensombrar a irreal tranquilidade.
E na noite de paz, silente e bela,
Toda a cidade é o beijo duma estrela,
Um murmúrio de amor, um doce abrigo.
Ignorando a mensagem vã de guerra,
Eis a cidade-oásis-céu-na-terra,
Onde homem é sinónimo de AMIGO. 8 let.
A solução é, pois, um sinónimo de amigo, com oito letras, ao qual se chega através de operações (neste caso apenas uma) com sinónimos. Quem decifrar, mande a solução para o meu mail (m.veesse@gmail.com) em vez de a divulgar aqui, para manter o suspense durante alguns dias. Quando houver um número razoável de decifradores, eu publico a solução e os respectivos nomes.
Um abraço amigo do Marouvaz
Lembro-me que publiquei há uns tempos, no ACERCA DOS CIPRESTES, um soneto que contém um enigma charadístico muito simples, mas sem o ter apresentado como tal. Vou reproduzi-lo agora, lançando-vos o desafio de o decifrarem. A solução verifica-se integralmente no Dicionário de Sinónimos da Tertúlia Edípica, compilado e organizado por charadistas e, mais tarde, cedidos os direitos à Porto Editora. Hoje não será mais o TE, como nós, charadistas, carinhosamente o designávamos, mas o Sinónimos Editora. Vamos então ao enigma:
A CIDADE IMPOSSÍVEL
Partiram-se as cadeias da amizade:
O sol banhou de sangue o horizonte
E um longo eco vai, de monte em monte,
Levar a nova ao povo da cidade.
As portas já fechadas, ninguém há-de
Saber de novas com que não se conte...
Nem mesmo as nuvens transporão a ponte
P'ra ensombrar a irreal tranquilidade.
E na noite de paz, silente e bela,
Toda a cidade é o beijo duma estrela,
Um murmúrio de amor, um doce abrigo.
Ignorando a mensagem vã de guerra,
Eis a cidade-oásis-céu-na-terra,
Onde homem é sinónimo de AMIGO. 8 let.
A solução é, pois, um sinónimo de amigo, com oito letras, ao qual se chega através de operações (neste caso apenas uma) com sinónimos. Quem decifrar, mande a solução para o meu mail (m.veesse@gmail.com) em vez de a divulgar aqui, para manter o suspense durante alguns dias. Quando houver um número razoável de decifradores, eu publico a solução e os respectivos nomes.
Um abraço amigo do Marouvaz
Thursday, June 12, 2008
Ciprestianos
Amigos Ciprestianos,
Há muito queria dizer que estou "quase" vivo, pois esse negócio de corrigir actas é infernal e não sobra tempo para interagir no Onomatopaico. Quando muito, tenho coleccionado alguns textos que, agora que consegui aceder ao Blogue e enviar mensagens, vou publicá-los para vosso lazer. ´
Logo, logo...
Abraços a todos.
Há muito queria dizer que estou "quase" vivo, pois esse negócio de corrigir actas é infernal e não sobra tempo para interagir no Onomatopaico. Quando muito, tenho coleccionado alguns textos que, agora que consegui aceder ao Blogue e enviar mensagens, vou publicá-los para vosso lazer. ´
Logo, logo...
Abraços a todos.
Saturday, June 7, 2008
OVNI (ou uma conversa de surdos-mudos)
Noite estrelada. O céu estava lindo.
Fresca aragem soprava no planalto
Onde imensos mirones tinham vindo
Tomar o espaço sideral de assalto.
Um deles, largo gesto repetindo,
De dedo indicador em riste, ao alto,
Cerca o lugar em que, no céu infindo,
Um ponto luminoso é sobressalto.
E a turba admira, presa de emoção,
Aquela deslumbrante aparição
Mais fúlgida que o próprio firmamento.
"Ovniamente", diz o mais facundo,
"Que se trata de nave de outro mundo".
E todos preitearam seu talento...
*****
Fresca aragem soprava no planalto
Onde imensos mirones tinham vindo
Tomar o espaço sideral de assalto.
Um deles, largo gesto repetindo,
De dedo indicador em riste, ao alto,
Cerca o lugar em que, no céu infindo,
Um ponto luminoso é sobressalto.
E a turba admira, presa de emoção,
Aquela deslumbrante aparição
Mais fúlgida que o próprio firmamento.
"Ovniamente", diz o mais facundo,
"Que se trata de nave de outro mundo".
E todos preitearam seu talento...
*****
A palavra TALENTO deveria estar grifada e ter adiante a indicação 3 letras. Trata-se de um enigma, cuja solução é exactamente um sinónimo de TALENTO com esse número de letras. Para se chegar à solução é preciso descobrir e explicar o que os charadistas chamam o encaixe, o entrecho, a trama ou a urdidura do enigma, isto é, uma sequência de operações com sinónimos ou equivalências de palavras ou sintagmas do texto que conduzam a essa palavra-solução.
Primeiramente devemos registar os sinónimos disponíveis do conceito do enigma (a tal palavra grifada) com o número de letras indicado e, em seguida, ir fazendo tentativas com cada um deles. Só a experiência e a inspiração nos poderão orientar nesse dédalo misterioso e, não poucas vezes, maravilhoso que é a trama de um enigma charadístico. No fundo, aquele "faro" que nos advém da conjugação harmoniosa da experiência e da inspiração. E, claro, quanto mais vasto for o conhecimento da língua, tanto melhor, particularmente ao nível da sinonímia.
Muito mais haverá ainda para dizer, tal a variedade de encaixes de enigmas que podem ser "urdidos". Fá-lo-emos a seu tempo, caso a caso.
Por hoje, ficaremos com a explicação deste que, como o subtítulo sugere, remete para o alfabeto dos surdos-mudos, devidamente registado num pequeno dicionário brasileiro chamado "Índice Monossilábico Enciclopédico", adoptado na revista charadística onde o enigma foi publicado há já muitos anos.
O corpo do enigma é o seguinte: "repetindo, de dedo indicador em riste, ao alto, cerca o lugar em que". No alfabeto dos surdos-mudos, o dedo indicador em riste, ao alto, tanto pode designar a letra L como a letra Z, consoante a orientação da palma da mão; o LUGAR EM QUE é o arcaísmo U, também registado no mesmo IME, conhecido entre os charadistas por Lirial, do pseudónimo da seu autor, Ed. Lirial J.or. A partir daqui já não há mistério: LUZ é sinónimo de TALENTO e a solução do enigma. Mas convenhamos que sem o subtítulo "uma conversa de surdos-mudos" seria bem mais difícil. Foi o que aconteceu na publicação original para charadistas.
Desculpem esta eventual maçada. Vou assinar com o "velho" pseudónimo charadístico.
Marouvaz
Friday, June 6, 2008
CAMPEONATO INTERMÉDIO LÍNGUA PORTUGUESA
Caros companheiros,
A SIC e o Expresso, bem como os habituais patrocinadores, dada a grande "aderência" (Balsemão dixit) do campeonato deste ano, vão organizar um novo campeonato da língua portuguesa.
Vai ser a seguir ao europeu de futebol, com prémios melhorados.
A Bárbara apresenta, mas não lê os ditados.
A CTC vai ser remodelada e os testes vão ser resolvidos pela mesma a priori.
Abraços onomatopaicos,
CC
A SIC e o Expresso, bem como os habituais patrocinadores, dada a grande "aderência" (Balsemão dixit) do campeonato deste ano, vão organizar um novo campeonato da língua portuguesa.
Vai ser a seguir ao europeu de futebol, com prémios melhorados.
A Bárbara apresenta, mas não lê os ditados.
A CTC vai ser remodelada e os testes vão ser resolvidos pela mesma a priori.
Abraços onomatopaicos,
CC
Tuesday, May 13, 2008
Pela primeira vez, vou deixar aqui uma mensagem que também coloquei no meu blogue pessoal, mas tendo em conta o seu conteúdo (que a mim muito me apraz), certamente não levarão a mal, esta minha atitude.
Aqui fica então:
Este ano, o Festival de Cinema de Cannes vai abrir com "Blindness", a adaptação cinematográfica do livro de José Saramago - Ensaio sobre a Cegueira -
O seu realizador é o brasileiro Fernando Meirelles e conta com o seguinte elenco: Julianne Moore,
Mark Ruffalo,
Danny Glover
Gael Garcia Bernal,
Alice BRAGA,
Yusuke ISEYA,
Yoshino KIMURA,
Don MC KELLAR
Sandra OH
O fio condutor do romance é a cegueira que leva não só as personagens como também o leitor a reflectirem sobre as relações entre o individual e o coletivo.
A "cegueira branca" é o símbolo do discurso da perplexidade. É a fantasia de um autor que nos relembra "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam".
Numa mescla de literatura e sabedoria, José Saramago obriga o leitor a reflectir, a fechar os olhos e a ver. Resgatar a lucidez e o afecto numa sociedade em crise é afinal a principal mensagem.
Trata-se de uma livro excepcional , revelador da extrêma lucidez do seu autor perante a nossa sociedade.
Aguardemos pela exibição do filme em Portugal.
Aqui fica então:
Este ano, o Festival de Cinema de Cannes vai abrir com "Blindness", a adaptação cinematográfica do livro de José Saramago - Ensaio sobre a Cegueira -
O seu realizador é o brasileiro Fernando Meirelles e conta com o seguinte elenco: Julianne Moore,
Mark Ruffalo,
Danny Glover
Gael Garcia Bernal,
Alice BRAGA,
Yusuke ISEYA,
Yoshino KIMURA,
Don MC KELLAR
Sandra OH
O fio condutor do romance é a cegueira que leva não só as personagens como também o leitor a reflectirem sobre as relações entre o individual e o coletivo.
A "cegueira branca" é o símbolo do discurso da perplexidade. É a fantasia de um autor que nos relembra "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam".
Numa mescla de literatura e sabedoria, José Saramago obriga o leitor a reflectir, a fechar os olhos e a ver. Resgatar a lucidez e o afecto numa sociedade em crise é afinal a principal mensagem.
Trata-se de uma livro excepcional , revelador da extrêma lucidez do seu autor perante a nossa sociedade.
Aguardemos pela exibição do filme em Portugal.
Sunday, May 11, 2008
Exercícios de Língua Portuguesa
Olá a todos,
Disponibilizei, em utilidades, uma página com exercícios diversificados de sintaxe, ortografia, morfologia, provérbios, ....
Apesar de não apresentarem um grau de dificuldade elevado, permite-nos treinar e rever alguns aspectos.
Bom trabalho.
Abreijos,
Grace
Disponibilizei, em utilidades, uma página com exercícios diversificados de sintaxe, ortografia, morfologia, provérbios, ....
Apesar de não apresentarem um grau de dificuldade elevado, permite-nos treinar e rever alguns aspectos.
Bom trabalho.
Abreijos,
Grace
Monday, May 5, 2008
À MINHA LINDA CIDADE
É a única poesia obrigada a mote que compus em toda a minha vida.
O mote é do poeta António Correia de Oliveira:
Senhora Santa Luzia,
Vossos olhos como são?
São olhos de ver Viana,
Não quero fechá-los, não!
Eis a minha glosa:
Eu tenho sede de amar
O mistério deste dia
E vê-se lá em baixo o mar,
SENHORA SANTA LUZIA...
O vento traz-mo nas asas
E eu bebo-o no coração.
Meus olhos são como brasas,
VOSSOS OLHOS COMO SÃO?
Ah, se esta pedra soubesse
Donde a minha sede emana,
Que são meus olhos em prece!
- "SÃO OLHOS DE VER VIANA,
Poeta que vês escolhos".
Oh, sinfonia-canção!
Oiço Viana nos olhos,
NÃO QUERO FECHÁ-LOS, NÃO!
O mote é do poeta António Correia de Oliveira:
Senhora Santa Luzia,
Vossos olhos como são?
São olhos de ver Viana,
Não quero fechá-los, não!
Eis a minha glosa:
Eu tenho sede de amar
O mistério deste dia
E vê-se lá em baixo o mar,
SENHORA SANTA LUZIA...
O vento traz-mo nas asas
E eu bebo-o no coração.
Meus olhos são como brasas,
VOSSOS OLHOS COMO SÃO?
Ah, se esta pedra soubesse
Donde a minha sede emana,
Que são meus olhos em prece!
- "SÃO OLHOS DE VER VIANA,
Poeta que vês escolhos".
Oh, sinfonia-canção!
Oiço Viana nos olhos,
NÃO QUERO FECHÁ-LOS, NÃO!
Thursday, May 1, 2008
Bom dia a todos!
Mesta minha primeira contribuição, começo por agradecer ao José Luís a disponibilização deste espaço para a nossa interacção literária.
Assim, e sendo um apaixonado da leitura e da escrita (com realce para a poesia), deixo-vos um soneto de minha autoria.
Abraços,
António
INSTANTE
Se, nessa eternidade do momento
em que sentes os tempos já tolhidos
pela doce fragrância dos sentidos
emanada por forte sentimento,
olvidas esse anátema opulento
que vive e segue e castra os sonhos tidos,
e apagas esses tempos tão sofridos
em troca do que sentes num lamento...
Repousa então na sombra deste olhar
que mira e olha e sente o teu pensar,
e sorve a tensa e densa nostalgia...
E, solta pelos ventos da lembrança,
apoia-te em pilares de esperança
e pula e canta e vive cada dia.
Assim, e sendo um apaixonado da leitura e da escrita (com realce para a poesia), deixo-vos um soneto de minha autoria.
Abraços,
António
INSTANTE
Se, nessa eternidade do momento
em que sentes os tempos já tolhidos
pela doce fragrância dos sentidos
emanada por forte sentimento,
olvidas esse anátema opulento
que vive e segue e castra os sonhos tidos,
e apagas esses tempos tão sofridos
em troca do que sentes num lamento...
Repousa então na sombra deste olhar
que mira e olha e sente o teu pensar,
e sorve a tensa e densa nostalgia...
E, solta pelos ventos da lembrança,
apoia-te em pilares de esperança
e pula e canta e vive cada dia.
Monday, April 28, 2008
Revista LER
A revista LER, fundada em 1987, regressa às bancas, sob a direcção de Francisco José Viegas. Totalmente renovada, apresenta uma nova imagem gráfica. De carácter geral, no âmbito da língua portuguesa, este número dispõe de um grande número de colaboradores e colunistas que se pronunciam sobre livros e sobre a vida que anda neles.
Sunday, April 20, 2008
Língua Bífida
Já que andamos numa onda de Acordo Ortográfico, deixo-vos esta crónica de José Diogo Quintela:
Quando aqueles empresários portugueses foram mortos em Fortaleza, apanharam um dos brasileiros que agiram a soldo do mandante, o famigerado Luís Militão. Ainda me lembro do rapaz negar ter conhecido os empresários, dizendo "Pô! Mas eu nem sei falar português!" Talvez com o novo acordo, passe a saber.
Não sei se sou contra ou a favor do Acordo Ortográfico. Sei só que, se avançar, exijo que de pronto disponibilizem o spell check para o Windows devidamente actualizado. É-me indiferente se muda a língua ou o que é. Assim como assim, já dou imensos erros. Não domino a versão antiga, também não vou dominar a moderna. Quanto muito, até fico com uma boa desculpa para as minhas calinadas. "Ai, não é "improvisas-te"? É "improvisaste"? Que cabeça a minha, ainda não me habituei ao novo acordo." Nunca mais vou precisar perder tempo a decidir se é "à" ou "há". Antes, se saía cara era com "h", se saía coroa, era sem. Agora é pôr o que ficar melhor na frase e, se estiver errado, culpar o acordo.
Ao lermos ementas de restaurantes, panfletos de hipermercados ou outdoors de publicidade, deparamo-nos com uma data de erros que vão continuar a ser dados. Para grande satisfação popular. Quem não gosta de rir à socapa de uma "assorda de marisco"? Claro que, se estiver estragada, quem ri por último é o analfabeto do cozinheiro. Por alguma razão cada vez há mais pratos com nomes estrangeiros. Há mais confiança para escrever "risotto" do que "arroz malandro".
Este acordo vai ter tanto impacto no lúmpen falante como um aumento no IVA dos iates de 27 metros na vida de, bom, basicamente todos os portugueses sem dinheiro para iates desses. E na dos portugueses que, tendo dinheiro para isso, enjoam no mar.
O lúmpen falante está-se nas tintas se em vez de "hão-de" se vai escrever "hão de", porque vai continuar a dizer "hádem". E se lhe falarem no desaparecimento do hífen, é possível que levem uma murraça. Eu faço parte do lúmpen falante, mas disfarço mais ou menos, porque tenho um bom spell check no computador e os meus textos ainda passam pelo crivo salvador dos revisores. Em termos linguísticos, sou um arrivista. Quero parecer mais do que sou. Uso o dicionário de sinónimos com destreza e misturo-me com os fluentes na língua que, por momentos, me tomam por um deles. Só que depois escrevo qualquer coisa à mão e, sem o protector risquinho encarnado (que ainda agora me chamou a atenção para botar outro "r" em "arivista") a corrigir-me, sou desmascarado. O risquinho encarnado do Word é aquele amigo que nos diz para não usarmos meias brancas com fato escuro num casamento.
De maneira que não estou muito preocupado com isto do acordo. Hei-de continuar a intrujar quem me lê. Para, daqui a alguns anos, poder ouvir dizer "aquele Zé Diogo sempre foi um impostor. Os primeiros fatos que aldrabou ainda eram com "c"".
Não sei se sou contra ou a favor do Acordo Ortográfico. Sei só que, se avançar, exijo que de pronto disponibilizem o spell check para o Windows devidamente actualizado. É-me indiferente se muda a língua ou o que é. Assim como assim, já dou imensos erros. Não domino a versão antiga, também não vou dominar a moderna. Quanto muito, até fico com uma boa desculpa para as minhas calinadas. "Ai, não é "improvisas-te"? É "improvisaste"? Que cabeça a minha, ainda não me habituei ao novo acordo." Nunca mais vou precisar perder tempo a decidir se é "à" ou "há". Antes, se saía cara era com "h", se saía coroa, era sem. Agora é pôr o que ficar melhor na frase e, se estiver errado, culpar o acordo.
Ao lermos ementas de restaurantes, panfletos de hipermercados ou outdoors de publicidade, deparamo-nos com uma data de erros que vão continuar a ser dados. Para grande satisfação popular. Quem não gosta de rir à socapa de uma "assorda de marisco"? Claro que, se estiver estragada, quem ri por último é o analfabeto do cozinheiro. Por alguma razão cada vez há mais pratos com nomes estrangeiros. Há mais confiança para escrever "risotto" do que "arroz malandro".
Este acordo vai ter tanto impacto no lúmpen falante como um aumento no IVA dos iates de 27 metros na vida de, bom, basicamente todos os portugueses sem dinheiro para iates desses. E na dos portugueses que, tendo dinheiro para isso, enjoam no mar.
O lúmpen falante está-se nas tintas se em vez de "hão-de" se vai escrever "hão de", porque vai continuar a dizer "hádem". E se lhe falarem no desaparecimento do hífen, é possível que levem uma murraça. Eu faço parte do lúmpen falante, mas disfarço mais ou menos, porque tenho um bom spell check no computador e os meus textos ainda passam pelo crivo salvador dos revisores. Em termos linguísticos, sou um arrivista. Quero parecer mais do que sou. Uso o dicionário de sinónimos com destreza e misturo-me com os fluentes na língua que, por momentos, me tomam por um deles. Só que depois escrevo qualquer coisa à mão e, sem o protector risquinho encarnado (que ainda agora me chamou a atenção para botar outro "r" em "arivista") a corrigir-me, sou desmascarado. O risquinho encarnado do Word é aquele amigo que nos diz para não usarmos meias brancas com fato escuro num casamento.
De maneira que não estou muito preocupado com isto do acordo. Hei-de continuar a intrujar quem me lê. Para, daqui a alguns anos, poder ouvir dizer "aquele Zé Diogo sempre foi um impostor. Os primeiros fatos que aldrabou ainda eram com "c"".
in P2, Público (20 de Abril de 2008)
ainda a final do campeonato
Se há coisas, que me ficaram atravessadas na garganta, foram os erros que cometi no ditado. Assim, em vez de a-propósito escrevi apropósito, em vez de tonitruantes, tronitroantes (este imperdoável). Em vez de doesto escrevi doexto (foi pronunciado como sexto e não como cesto), o termo esfuziava estava completamente convencido que se escrevia com a letra s. E por último o grugrulejar, que uma vez que a Bárbara já tinha dito “simbilinamente” e “superflamente”, pensei que ela queria dizer gorgolejar.
Já que este ano apareceram os autores a lerem para a televisão, também não era necessário que fosse a Bárbara a ler o ditado da parte da manhã. É que ela lê mesmo mal…
A propósito de grugrulejar, um poema das vozes dos animais, sem a voz do peru:
Palram pega e papagaio
E cacareja a galinha,
Os ternos pombos arrulham,
Geme a rola inocentinha.
Muge a vaca, berra o touro
Grasna a rã, ruge o leão,
O gato mia, uiva o lobo
Também uiva e ladra o cão.
Relincha o nobre cavalo
Os elefantes dão urros,
A tímida ovelha bala,
Zurrar é próprio dos burros.
Regouga a sagaz raposa,
Brutinho muito matreiro;
Nos ramos cantam as aves;
Mas pia o mocho agoureiro.
Sabem as aves ligeiras
O canto seu variar:
Fazem gorjeios às vezes,
Às vezes põem-se a chilrar.
O pardal, daninho aos campos,
Não aprendeu a cantar;
Como os ratos e as doninhas,
Apenas sabe chiar.
O negro corvo crocita,
Zune o mosquito enfadonho,
A serpente no deserto
Solta assobio medonho.
Chia a lebre, grasna o pato,
Ouvem-se os porcos grunhir,
Libando o suco das flores,
Costuma a abelha zumbir.
Bramam os tigres, as onças,
Pia, pia o pintainho,
Cucurica e canta o galo,
Late e gane o cachorrinho.
A vitelinha dá berros,
O cordeirinho balidos,
O macaquinho dá guinchos,
A criancinha vagidos.
A fala foi dada ao homem,
Rei dos outros animais:
Nos versos lidos acima
Se encontram em pobre rima
As vozes dos principais
Pedro Dinis
Já que este ano apareceram os autores a lerem para a televisão, também não era necessário que fosse a Bárbara a ler o ditado da parte da manhã. É que ela lê mesmo mal…
A propósito de grugrulejar, um poema das vozes dos animais, sem a voz do peru:
Palram pega e papagaio
E cacareja a galinha,
Os ternos pombos arrulham,
Geme a rola inocentinha.
Muge a vaca, berra o touro
Grasna a rã, ruge o leão,
O gato mia, uiva o lobo
Também uiva e ladra o cão.
Relincha o nobre cavalo
Os elefantes dão urros,
A tímida ovelha bala,
Zurrar é próprio dos burros.
Regouga a sagaz raposa,
Brutinho muito matreiro;
Nos ramos cantam as aves;
Mas pia o mocho agoureiro.
Sabem as aves ligeiras
O canto seu variar:
Fazem gorjeios às vezes,
Às vezes põem-se a chilrar.
O pardal, daninho aos campos,
Não aprendeu a cantar;
Como os ratos e as doninhas,
Apenas sabe chiar.
O negro corvo crocita,
Zune o mosquito enfadonho,
A serpente no deserto
Solta assobio medonho.
Chia a lebre, grasna o pato,
Ouvem-se os porcos grunhir,
Libando o suco das flores,
Costuma a abelha zumbir.
Bramam os tigres, as onças,
Pia, pia o pintainho,
Cucurica e canta o galo,
Late e gane o cachorrinho.
A vitelinha dá berros,
O cordeirinho balidos,
O macaquinho dá guinchos,
A criancinha vagidos.
A fala foi dada ao homem,
Rei dos outros animais:
Nos versos lidos acima
Se encontram em pobre rima
As vozes dos principais
Pedro Dinis
Saturday, April 19, 2008
De novo o Campeonato ...
Aquando da Grande Final do Campeonato da Língua Portuguesa 2008, um grupo de concorrentes entregou a Francisco Pinto Balsemão uma carta de protesto e um abaixo-assinado, como tentativa de chamar a atenção do patrão do Grupo Impresa para as falhas cometidas pela CTC (Comissão Técnico-Científica) na elaboração e correcção das provas de qualificação.
Ao que parece, Balsemão leu a carta e desvalorizou as críticas dos concorrentes: "É uma história que já não é nova. Não vamos agora por causa de alguns protestos, vindos quase sempre das mesmas pessoas, substituir esta Comissão, na qual temos confiança". No entanto, Balsemão refere que analisará melhor a situação, para saber se os concorrentes têm razão no que dizem.
Ao que parece, Balsemão leu a carta e desvalorizou as críticas dos concorrentes: "É uma história que já não é nova. Não vamos agora por causa de alguns protestos, vindos quase sempre das mesmas pessoas, substituir esta Comissão, na qual temos confiança". No entanto, Balsemão refere que analisará melhor a situação, para saber se os concorrentes têm razão no que dizem.
Se quiser ler o artigo do Correio da Manhã, clique aqui.
onomatopeias
Chuva, porque cais?
Vento, aonde vais?
Pingue... Pingue... Pingue...
Vu... Vu...Vu...
Chuva, porque cais?
Vento, aonde vais?
Pingue... Pingue... Pingue...
Vu... Vu...Vu...
Ó vento que vais,
Vai devagarinho.
Ó chuva que cais,
Mas cai de mansinho.
Pingue... Pingue...
Vu... Vu…
Muito de mansinho
Em meu coração
Já não tenho lenha
Nem tenho carvão...
Pingue... Pingue...
Vu... Vu…
Que canto tão frio,
Que canto tão terno,
O canto da água,
O canto do Inverno...
Pingue...
Que triste lamento,
Embora tão terno,
O canto do vento
O canto do Inverno...
Vu...
E os pássaros cantam
E as nuvens levantam.
Matilde Rosa Araújo, in O Livro da Tila
Vento, aonde vais?
Pingue... Pingue... Pingue...
Vu... Vu...Vu...
Chuva, porque cais?
Vento, aonde vais?
Pingue... Pingue... Pingue...
Vu... Vu...Vu...
Ó vento que vais,
Vai devagarinho.
Ó chuva que cais,
Mas cai de mansinho.
Pingue... Pingue...
Vu... Vu…
Muito de mansinho
Em meu coração
Já não tenho lenha
Nem tenho carvão...
Pingue... Pingue...
Vu... Vu…
Que canto tão frio,
Que canto tão terno,
O canto da água,
O canto do Inverno...
Pingue...
Que triste lamento,
Embora tão terno,
O canto do vento
O canto do Inverno...
Vu...
E os pássaros cantam
E as nuvens levantam.
Matilde Rosa Araújo, in O Livro da Tila
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